12 julho 2008

Um préstimo por um empréstimo?

Todas as épocas, em todos os campeonatos, o mercado de transferências é a fase da temporada que mais ilusões vende aos adeptos. Todos os dias, os diários desportivos fazem manchete com um novo craque que chega para a equipa, uma surpresa prometida, um jogador jovem com um enorme futuro, o novo treinador com métodos inovadores, o "tubarão" europeu que pode vir a qualquer hora arrebatar a estrela da equipa. E este ano, mais do quem em outros, tem ainda os craques na lista de dispensas do FC Porto. A lista é extensa, tem jogadores para todas as idades, de muitas nacionalidades e para todas as posições, mas acima de tudo inclui jogadores de indesmentível qualidade! Arrisco-me a dizer que a lista de jogadores com contrato com os Dragões permitiria elaborar dois plantéis, um para ser campeão e outro para lutar pela Champions. Não admira portanto, que os clubes façam fila na torre das Antas para terem por empréstimo (?!?) um, dois, ou mesmo mais jogadores para colmatarem posições fragilizadas no plantel. Desta situação beneficiam as equipas com melhores relações com a SAD portista, como são o caso do Setúbal, Leixões e Académica. Mas não será esta uma forma de influenciar e pressionar os clubes com maiores dificuldades na composição dos seus plantéis a tomarem partido pelo Porto na Liga de Clubes e na Federação? Será simples caridade da SAD portista? Não teria o Vitória de Guimarães recebido por empréstimo o Alan se não tivesse ousado contrariar os intentos do Porto na UEFA no julgamento do caso Apito Final? Provavelmente sim! É uma forma legal de pressão e de coacção estratégica sobre os clubes, não requer a inclusão de membros ligados ao clube nos assentos da Liga e assume proporções dantescas face ao número de clubes que já receberam ou pretendem ainda receber por empréstimo os dispensados do clube. Se a situação se alastra teremos apenas 4 equipas na Liga Sagres: o FC Porto, os emprestados do Porto, o Benfica e o Sporting. É urgente uma tomada de posição da Liga de Clubes, assim como urge que os clubes denominados de "3 grandes" se livrem definitivamente das estratégias de coacção com que movem nos meandros do futebol português.

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