29 abril 2009

Protejam-se os artistas! Aos outros não se lhes partam as pernas...punam-se!

Jesualdo Ferreira lançou a discussão no futebol português! Paulo Bento preferiu ironizar! Mas a discussão merece certamente reflexão. Em Espanha, já ouvimos esta época Guardiola pedir protecção para Messi. O mesmo tem sido apanágio de Sir Alex Ferguson, que em Inglaterra pede que se punam as faltas duras sobre Ronaldo. Mas o que fazer para proteger os jogadores mais dotados tecnicamente, os verdadeiros desequilibradores tão procurados pelos adversários?

Na retina está ainda a recente lesão de Hulk, vítima de mais uma entrada à margem das leis e desta vez resultando numa lesão grave, que o retirará da fase decisiva do campeonato sem que o infractor tenha sido sequer punido disciplinarmente. Finalmente, terão dito os próximos adversários dos azuis e brancos que assim não terão que lidar com a força, a velocidade de execução, o virtuosismo e a capacidade de explosão do jovem brasileiro do Porto. As entradas “assassinas” sobre o avançado já vinham sendo recorrentes em jogos anteriores e alvo de reparos da equipa técnica azul e branca, impávida perante a passividade irritante dos árbitros. Relembre-se o jogo de Guimarães, em que Jesualdo Ferreira se viu obrigado a retirar Hulk do terreno de jogo receando pela sua condição física, depois de mais uma entrada violenta. Nessa partida, foram várias as homenagens que os defesas do Vitória fizeram questão de deixar visíveis nas pernas do avançado, gozando da permissividade do árbitro do encontro. Nesse jogo como em outros, Hulk foi vítima do virtuosismo do seu futebol, das suas capacidades físicas sobrenaturais e de uma técnica apurada capaz de resolver as partidas.

Mas não deveriam ser estes os jogadores privilegiados na protecção dada pelas esquipas de arbitragem? Não devemos penalizar severamente as “entradas” com o intuito único de prejudicar a integridade física dos melhores executantes? Sim, claro! Até porque são estes os jogadores que entusiasmam as plateias, que enchem os estádios, que determinam várias vezes o sucesso ou insucesso das épocas desportivas e que regam os sedentos cofres dos clubes nacionais.

Paulo Bento optou por responder a Jesualdo Ferreira pedindo igual protecção para os jogadores menos virtuosos, precisamente aqueles que normalmente procuram a bola nas pernas dos jogadores mais velozes e dotados tecnicamente! Um discurso irónico e de quem suspeita que o Futebol Clube do Porto sem Hulk é uma equipa menos determinante e fantasista, deixando espaço para o Sporting continuar a sonhar. Ele próprio enquanto jogador não foi um primor técnico, antes um bloqueador de jogo ofensivo. E deve haver espaço no futebol para que coexistam ambos: os que têm como preocupação pensar o futebol ofensivo e os que único intento passa por o destruir. Mas qual seria o discurso de Paulo Bento se visse a sua equipa privada de contar com o contributo de Moutinho ou Liedson para o que resta da temporada? Ou a reacção de Quique Flórez se Reyes e Di Maria fossem constantemente molestados pelos adversários?

Alguém consegue imaginar a fabulosa jogada de Maradona, nos quartos de final do Mundial do México, terminar abruptamente com uma valente “sarrafada” de um gentlemen inglês? Claro que conseguem! Porque os seus adversários o tentaram vezes sem conta, porque várias vezes essa é a instrução que os jogadores recebem no balneário e porque está constantemente a acontecer nos relvados. Não só nos portugueses, como é óbvio! Mas pudemos imaginar o futebol sem esses momentos de rara magia? Sem os verdadeiros heróis que permanecem no imaginário como lendas eternas? Não, é claro! Assim como, não o poderemos consentir sob pena de dar azo a que o futebol seja cada vez mais um desporto físico e impetuoso. Mas beneficiando da actual impunidade das equipas de arbitragem, vamos poder continuar a assistir à sequela do já conhecido filme “ Caceteiros III”, a cada final de semana num relvado perto de si…eles sabem do que estou a falar!

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