11 agosto 2009

Quem pediu um Porto Ferreira?

A equipa do Futebol Clube do Porto que se apresentou no Municipal de Aveiro para disputar a Supertaça Cândido de Oliveira não entusiasmou e nem tão pouco deixou boas indicações para o primeiro jogo da época, que há-de iniciar-se precisamente com o adversário desta final. Uma vez mais, os campeões nacionais iniciam a temporada sem fio de jogo, sem opções definidas para os lugares que ficaram em aberto no onze pelas transferências de Verão e com opções técnicas e tácticas que deixam boquiaberto qualquer amante do bom futebol. Um dejá vu portanto, apenas amenizado pela vitória frente a um Paços de Ferreira ainda atordoado pelo afastamento da Liga Europa, já que nas épocas anteriores a taça voou direitinha para o museu do Sporting. Que saudades das equipas dominadoras de Bobby Robson e Mourinho: posse de bola com qualidade, rápida circulação de bola a meio campo, futebol ofensivo entusiasmante, criatividade na construção das jogadas e personalidade na hora de arrumar com a reacção do adversário. Mas quem pode dizer que ficou surpreendido com o que viu? Só mesmo quem tem passado ao lado dos jogos da equipa portista desde que Jesualdo Ferreira assumiu o comando do conjunto azul e branco. Os mesmos que defenderam a continuidade do treinador terão sido aqueles que se deleitaram com as jogadas inconsequentes de Mariano González (indiscutível para qualquer posição do terreno), com as contínuas e infantis asneiras de Fucile e mesmo as tolices de Hélton, que a qualquer momento parece ser capaz de montar a gaiola na baliza. Deixem-me adivinhar de antemão algumas das vossas divergentes opiniões: Jesualdo Ferreira tem ganho o campeonato, pelo que não faz sentido mudar; Mariano González é um elemento importante na equipa porque luta muito pela recuperação da bola! Frases feitas pela imprensa, entretanto absorvidas pelos adeptos portistas anestesiados pelas vitórias de 1-0 com muito sofrimento e assobios da bancada à mistura. Serei eu o único que continua a duvidar das opções técnicas e tácticas de Jesualdo Ferreira? Serei eu o único que continua a insultar as trapalhices do fetichista Mariano? Serei eu o único que ainda retém na memória de que é possível vencer tudo praticando futebol de qualidade? Mais alguém ainda apaixonado por bom futebol?
Jesualdo Ferreira adoptou um modelo de jogo para a equipa pouco condizente com a forma dominadora com que o Porto sempre abordou as partidas. A equipa retrai em demasia a sua linha defensiva, o meio campo pressiona essencialmente atrás do seu meio-campo e não é raro ver os onze jogadores no meio-campo defensivo entregando a iniciativa atacante ao adversário. Isto é válido para praticamente todos os jogos, mesmo quando as equipas são potenciais candidatos à descida de divisão, como se viu durante largos períodos da 2ª parte do jogo da Supertaça com o "poderoso" Paços de Ferreira (quem duvida que observe com atenção as próximas partidas). Esta forma passiva de abordar as partidas é um dos vários meios para atingir a vitória: defender com coesão e avançar em transições rápidas para o ataque, ou seja, uma terminologia diferente para dizer "contra-ataque". Depois de anos a fio a criticar o cattenacio italiano,a cultura resultadista que repetidamente apelidamos de anti-jogo, somos tolerantes em aceitar essa mesma metodologia para o nosso futebol? Com os investimentos avultados a cada Verão em novos jogadores, com uma equipa reconhecidamente capaz de aceitar a responsabilidade de assumir as despesas do jogo, com executantes de enorme qualidade, com os apelos constantes para que se encham os estádios, podemos tolerar um espectáculo deprimente por parte da única equipa com com executantes capazes de proporcionar um óptimo espectáculo? Não é por acaso que esta equipa não tem tido soluções para abrir as defesas mais cerradas, e irá continuar a ter problemas se não formatar o seu estilo de jogo previsível! A jogadores como Hulk, Valeri e Belluschi não se lhes pode pedir que continuadamente se desgastem em missões defensivas, mas sim que coloquem ao serviço da equipa todas as suas potencialidades técnicas, liberdade para assumir as despesas do jogo ofensivo da equipa, que descubram espaços nas defesas mais cerradas, que encantem a plateia com a magia que brota do seu futebol. Jesualdo Ferreira tem sido mestre em limitar a iniciativa dos jogadores criativos, em delimitar ao pormenor o raio de acção de cada jogador na equipa e isso tem tido reflexos na previsibilidade do jogo ofensivo e na qualidade do futebol apresentado e por aí se explica que Ibson nunca tenha sido opção para o treinador. O sistema táctico da equipa não pode permitir que exista um jogador na posição 10 cuja missão seja a de construir e delinear o caudal ofensivo, implicando necessariamente que Valeri e Belluschi venham a sentir dificuldades para se imporem no onze e se vejam obrigados a" formatar" o seu jogo, passando a jogar como médios de transporte de jogo rápido para o ataque, sem poderem bloquearem em demasia a bola em seu poder. Mas de que forma se conseguem desbloquear jogos contra equipas que defendem com unhas e dentes o 0-0? Com rasgos individuais do guarda-redes adversário? A opção de entregar a iniciativa ao adversário resulta na perfeição com equipas de dimensão equivalente ou superior, que gostem de jogar o jogo pelo jogo e de partilhar o meio campo adversário, o que se tem verificado na Liga dos Campeões com maior frequência. Não foi à toa que os melhores jogos do Porto de Jesualdo Ferreira se verificaram nas eliminatórias com Atlético de Madrid e Manchester United na última temporada, assim como não foi despropositado o facto de a equipa sentir sempre mais dificuldades contra as pequenas equipas do nosso campeonato no Dragão. A meu ver este plantel apresenta os jogadores ideais para avançar com a reformulação do seu sistema táctico para um 4-1-3-2, em que Fernando seria o pivô defensivo de uma linha de 3 médios composta por Rául Meireles, Rodriguez e com espaço para um médio criativo ( Valeri/Belluschi); a frente da ataque seria entregue a Hulk e Falcão/Farias. Cabe a Jesualdo Ferreira a missão de aceitar o desafio de se formatar a si próprio e colocar esta equipa a praticar bom futebol,a empolgar as plateias e a encantar a Europa do futebol com a qualidade dos seus jogadores. Mas como "burro velho já não aprende"...resta-me continuar a sofrer em frente à televisão, já que com este treinador o meu Dragon Seat vai ter que esperar pelos dias de melhor futebol!

04 agosto 2009

Falcão a sobrevoar a área!

Lisandro partiu para Lyon e deixará certamente saudades no Estádio Dragão, até porque jogadores com as suas características não abundam no mercado e no Porto será mesmo insubstituível. A contratação de Radamel Falcão proveniente dos milionários do River Plate foi mais do que uma mera bicada na águia, que ainda recuperava do golpe infligido por Álvaro Pereira e já dava quase que por assegurada a contratação do colombiano, Falcão foi uma aposta na capacidade de formação de Jesualdo Ferreira que terá o desafio de moldar o goleador colombiano à imagem do sistema de jogo da equipa. Neste momento, Falcão é ainda um avançado mais posicional que Lisandro, um lutador incansável mas restrito à grande área adversária. Bom no jogo aéreo e com instinto goleador, será a sua capacidade de adaptação ao modelo de jogo preconizado pelo treinador portista que ditará o sucesso ou insucesso da sua aventura no Dragão. A Jesualdo cabe a árdua missão de esquecer Lisandro e trabalhar Falcão para que este sobrevoe a área adversária destilando todo o seu potencial goleador. A chegada do avançado colombiano custou aos cofres portistas 3,9 milhões de euros.

Orlando Sá, promessa nacional!

O departamento de prospecção neste caso nem teve que fazer muito, tamanha a projecção que conheceu Orlando Sá na temporada passada. Um hat-trick frente à selecção Sub21 espanhola catapultou-o para a ribalta, de tal forma que Carlos Queirós não teve dúvidas em convocá-lo para integrar os trabalhos da selecção A, numa altura em que esteve a um passo de ser transferido para o Chelsea de Scolari. No Braga de Jorge Jesus nem sempre teve oportunidade de mostrar o seu valor, tapado que estava por jogadores mais credenciados e com maior experiência, mas lentamente ganhava o seu espaço quando se lesionou gravemente. Ainda assim o FC Porto avançou para a sua contratação e confia na recuperação plena do jovem que mais potencial demonstrou nos últimos anos para fazer face à escassez de pontas de lança nacionais. Alto e possante nas lutas na área adversária, demonstrou ser um exímio cabeceador o que lhe poderá valer ser chamado à equipa para resolver os jogos contra defesas mais cerradas. Desconhece-se em absoluto o valor da transferência, mas a imprensa apontou valores de referência próximos de 1,5 milhões de euros.

Varela...velocidade a custo zero!

Depois da fantástica temporada no Estrela da Amadora, o prémio merecido para um dos mais poderosos e velozes avançados a actuar em Portugal. Silvestre Varela assinou pelo FC Porto para colmatar a saída de Tarik e acrescentar velocidade e poder de fogo à frente de ataque portista, quer á direita, quer à esquerda. O ainda jovem português tem feito boas exibições neste inicio de temporada, com golos e dinamizando q.b. o ataque, empolgando as hostes azuis e brancas. Jesualdo Ferreira tem-lhe confiado a missão de acompanhar Hulk numa frente de ataque rápida e dinâmica e Varela não se tem feito rogado. Quem apostava que este poderia ser o ano de Mariano no Porto, poderá ver Varela a formar a tripla de ataque com o incrível brasileiro e Cristhian Rodriguez.

03 agosto 2009

Belluschi depois de Lucho!

Fernando Belluschi era uma paixão antiga dos responsáveis azuis e brancos, já dos tempos em que brilhava com a camisola do River Plate. Foi a primeira opção para colmatar a saída de Lucho e tratou logo de mostrar serviço nos primeiros jogos com a camisola azul e branca. Lutador e com "ganas" na procura da bola, enquadrou-se rapidamente na equipa e assumiu, a par com Rául Meireles, as despesas das transições rápidas para o ataque. O seu aspecto franzino e a vontade demonstrada em chegar perto da baliza contrária para servir os seus companheiros ou finalizar ele mesmo as jogadas, deixa transparecer que poderá ser uma arma importante para abrir as defesas mais fechadas se jogar mais próximo do ataque, deixando as lutas a meio-campo para uma linha de médios mais poderosos fisicamente. Belluschi irá lutar directamente por um lugar na equipa com Valeri num esquema de três médios, apesar de eu acreditar que podem jogar ambos se Jesualdo Ferreira adoptar o 4x1x3x2 e o colocar mais à direita na linha de 3 médios. Para garantir Belluschi, o Porto adquiriu 50% do seu passe aos gregos do Olympiakos por 5 milhões de euros.

Diego Valeri ataca lugar do El Comandante!

Diego Valeri é dragão por empréstimo do Lánus. Depois de na temporada passada ter sido apontado como reforço dos azuis e brancos, terá sido o valor inflacionado do seu passe a inviabilizar o negócio, assina pelos tetra campeões nacionais depois de uma época marcada por lesões e aquém das expectativas que fizeram dele um dos mais requisitados centro campistas argentinos. Dotado de uma técnica apurada, veloz nas transições e com a inteligência necessária para pautar o jogo ofensivo dos portistas, poderá ser o natural substituto de Lucho González se confirmar as credenciais com que chega à cidade Invicta. Diferente de Belluschi, parece ser um 10 que gosta de avançar no terreno com a bola controlada e que não perde a oportunidade de visar a baliza adversária com o seu forte e colocado pontapé. O grande óbice à sua integração imediata na equipa poderá ser a natural adaptação ao estilo de jogo preconizado por Jesualdo Ferreira e que não parece deixar grande espaço para que os jogadores potenciem toda a sua criatividade. Qualidade Valeri tem, mas Ibson também tinha...

"El Perro" Prediger

O mercado argentino continua na moda no Dragão e Sebastian Prediger é o novo trinco azul e branco. Fernando parece intocável à frente da defesa portista, mas era por demais evidente a falta de concorrência para o lugar depois das saídas de Bolatti e Andrés Madrid. Após ter grangeado a fama de lutador incansável pelos relvados argentinos e de ter inclusivamente alcançado o estatuto de internacional A pelas mãos de Maradona, o FC Porto não perdeu tempo e avançou para a contratação deste jovem a despontar no Colón. Alto e possante, dizem as crónicas "jornalísticas" tratar-se de um médio forte no jogo aéreo e com capacidade de acrescentar combatividade ao meio-campo azul e branco. Ainda não foi utilizado por Jesualdo Ferreira nesta pré-época por se ter juntado ao grupo tardiamente, pelo que as avaliações ao seu estilo de jogo ficarão para depois, mas espera-se que faça valer a avaliação do seu passe, até porque Fernando começa a ser muito assediado além fronteiras. O Colón fez o maior encaixe da sua história com a venda de Prediger ao Porto e amealhou perto de 4 milhões de euros.

02 agosto 2009

Álvaro Pereira acelera na esquerda!

A guerra Porto vs Benfica torna-se feroz nos relvados mas também nos bastidores, já que pela segunda época consecutiva o FC Porto consegue o concurso de um uruguaio apontada às águias. Depois da novela Rodriguez, desta feita foi o lateral esquerdo do Cluj a lançar a guerra entre os clubes rivais e novamente o Porto levou a melhor. Álvaro Pereira chegou ao Dragão com os ecos da venda de Cissokho ao Milan, que entretanto não se concretizaria, sendo entretanto transferido por 15 milhões de euros para o Lyon. Rotulado de forte a defender e um verdadeiro "acelera" pela lateral, tem demonstrado nestes primeiros jogos da pré-época que pode oferecer qualidade e velocidade ao jogo portista. Tal como Cissokho, gosta de subir pelo flanco e de participar nas manobras ofensivas da equipa, dotado técnicamente e com um forte pontapé promete ser uma dor de cabeça para os adversários quando a parceria com Rodriguez estiver bem oleada. Partiu Cissokho e a qualidade tende a manter-se na esquerda portista, o que desde a chegada do francês há muito não se via. Pereira parece apostado em fazer esquecer rapidamente o jovem Cissokho e os adeptos agradecem a sua abnegação a defender. O Cluj encaixou com esta transferência 4,5 milhões de euros.

Nuno A. Coelho, na peugada dos gigantes!

A escola de centrais portistas é já reconhecidamente uma das melhores do mundo e tem um preço: 30 milhões de euros! Nuno André Coelho é o senhor que se segue no plantel e mostra qualidades que rapidamente o associam com Ricardo Carvalho. Depois de ter amadurecido em vários emblemas ( St Liége, Portimonense e Estrela ), sempre por empréstimo dos azuis, foi na época conturbada do Estrela da Amadora que escancarou as portas do Dragão com exibições de grande qualidade. Seguro na antecipação, forte no jogo aéreo e com a serenidade necessária para sair a jogar com a bola controlada, parece estar na peugada dos gigantes da defesa azul e branca. Tal como Bruno Alves, tem um pontapé forte e poderá ser uma mais valia no jogo aéreo na defensiva contrária, mas será a sua vontade de agarrar um lugar na defesa portista que lhe poderá valer disputar o lugar de Rolando ( Maicon é também um forte candidato ao lugar ).

Maicon, o clone de Pepe!

O FC Porto antecipou-se uma vez mais à concorrência e assegurou a contratação do defesa central nacionalista Maicon. O jovem brasileiro, ainda com 20 anos, deu nas vistas na defesa do Nacional de Manuel Machado pelo seu forte jogo aéreo, velocidade e sentido posicional. Os olheiros portistas tinham-no debaixo de olho e os responsáveis técnicos deram o aval à contratação daquele que poderá ser o sucessor de Pepe na defesa portista. À primeira vista Maicon não terá tarefa fácil para se impôr na defesa azul e branca, mas precavendo de antemão a provável saída do timoneiro Bruno Alves, Jesualdo Ferreira poderá confiar neste jovem a missão de formar dupla com Rolando que transita da temporada passada. Stepanov já não mora no Dragão e Nuno André Coelho parece partir em desvantagem neste ínicio de temporada, pelo que Maicon poderá ter que ocupar prematuramente o lugar do capitão portista. O brasileiro custou 1,2 milhões de euros aos azuis e brancos.

Miguel Lopes para crescer à direita

Miguel Lopes é contratação dos azuis e brancos para a lateral direita, depois de duas épocas a mostrar credenciais no Estádio dos Arcos. Conotado como um lateral rápido e aguerrido na procura da bola, forte no um para um e com pulmão para se lançar no ataque, este jovem poderá ser uma agradável surpresa na defesa portista. Para já, parte em nítida desvantagem para a concorrência, Fucile e Sapunaru, mas se continuar a mostrar no Porto os dotes que fizeram dele um dos melhores laterais a actuar no campeonato português poderá encontrar o seu espaço no onze portista. O uruguaio Fucile não tem evoluido o seu jogo de forma satisfatória, apesar desta ser a quarta temporada no plantel dos dragões continua a cometer os mesmos erros infantis e com debilidades físicas que o afastam variadas vezes das opções. Já o romeno Sapunaru, apesar das boas performances no final da época passada, precisa de aumentar o ritmo do seu jogo para que se possa afirmar definitivamente como dono do lugar. Será uma luta interessante de seguir ao longo da temporada. Com três opções para um só lugar, cabe a Jesualdo Ferreira entregar o posto a quem demonstrar ser o mais equilibrado a defender e atacar e Miguel Lopes pode encontrar a sua posição no onze titular. De referir, que o jovem lateral custou 600 mil euros aos cofres portistas.

Beto para ameaçar a baliza de Hélton

Beto ameaçava tornar-se jogador do FC Porto há já algum tempo e concretizou-se o sonho do ex guarda-redes do Leixões. Depois de vários anos a mostrar qualidades acima da média em equipas de escalões inferiores, foi na equipa matosinhense que alcançou o estatuto de internacional português e se revelou uma aposta segura para ombrear na baliza portista com Hélton. Será um forte opositor para o brasileiro portista, que na época passada acumulou alguns erros que o levaram a que experimentasse o banco por troca com Nuno Espirito Santo, que não foi igualmente feliz. Beto poderá ser titular da baliza portista ao mínimo deslize de Hélton e não tenho dúvidas que será uma aposta feliz da equipa técnica. Felino e seguro entre os postes, rápido e perspicaz na saida aos cruzamentos, poderá consolidar no Porto o estatuto de guarda-redes da selecção das quinas. A contratação do ex. matosinhense custou aos cofres do FC Porto cerca de 600 mil euros.

29 abril 2009

Protejam-se os artistas! Aos outros não se lhes partam as pernas...punam-se!

Jesualdo Ferreira lançou a discussão no futebol português! Paulo Bento preferiu ironizar! Mas a discussão merece certamente reflexão. Em Espanha, já ouvimos esta época Guardiola pedir protecção para Messi. O mesmo tem sido apanágio de Sir Alex Ferguson, que em Inglaterra pede que se punam as faltas duras sobre Ronaldo. Mas o que fazer para proteger os jogadores mais dotados tecnicamente, os verdadeiros desequilibradores tão procurados pelos adversários?

Na retina está ainda a recente lesão de Hulk, vítima de mais uma entrada à margem das leis e desta vez resultando numa lesão grave, que o retirará da fase decisiva do campeonato sem que o infractor tenha sido sequer punido disciplinarmente. Finalmente, terão dito os próximos adversários dos azuis e brancos que assim não terão que lidar com a força, a velocidade de execução, o virtuosismo e a capacidade de explosão do jovem brasileiro do Porto. As entradas “assassinas” sobre o avançado já vinham sendo recorrentes em jogos anteriores e alvo de reparos da equipa técnica azul e branca, impávida perante a passividade irritante dos árbitros. Relembre-se o jogo de Guimarães, em que Jesualdo Ferreira se viu obrigado a retirar Hulk do terreno de jogo receando pela sua condição física, depois de mais uma entrada violenta. Nessa partida, foram várias as homenagens que os defesas do Vitória fizeram questão de deixar visíveis nas pernas do avançado, gozando da permissividade do árbitro do encontro. Nesse jogo como em outros, Hulk foi vítima do virtuosismo do seu futebol, das suas capacidades físicas sobrenaturais e de uma técnica apurada capaz de resolver as partidas.

Mas não deveriam ser estes os jogadores privilegiados na protecção dada pelas esquipas de arbitragem? Não devemos penalizar severamente as “entradas” com o intuito único de prejudicar a integridade física dos melhores executantes? Sim, claro! Até porque são estes os jogadores que entusiasmam as plateias, que enchem os estádios, que determinam várias vezes o sucesso ou insucesso das épocas desportivas e que regam os sedentos cofres dos clubes nacionais.

Paulo Bento optou por responder a Jesualdo Ferreira pedindo igual protecção para os jogadores menos virtuosos, precisamente aqueles que normalmente procuram a bola nas pernas dos jogadores mais velozes e dotados tecnicamente! Um discurso irónico e de quem suspeita que o Futebol Clube do Porto sem Hulk é uma equipa menos determinante e fantasista, deixando espaço para o Sporting continuar a sonhar. Ele próprio enquanto jogador não foi um primor técnico, antes um bloqueador de jogo ofensivo. E deve haver espaço no futebol para que coexistam ambos: os que têm como preocupação pensar o futebol ofensivo e os que único intento passa por o destruir. Mas qual seria o discurso de Paulo Bento se visse a sua equipa privada de contar com o contributo de Moutinho ou Liedson para o que resta da temporada? Ou a reacção de Quique Flórez se Reyes e Di Maria fossem constantemente molestados pelos adversários?

Alguém consegue imaginar a fabulosa jogada de Maradona, nos quartos de final do Mundial do México, terminar abruptamente com uma valente “sarrafada” de um gentlemen inglês? Claro que conseguem! Porque os seus adversários o tentaram vezes sem conta, porque várias vezes essa é a instrução que os jogadores recebem no balneário e porque está constantemente a acontecer nos relvados. Não só nos portugueses, como é óbvio! Mas pudemos imaginar o futebol sem esses momentos de rara magia? Sem os verdadeiros heróis que permanecem no imaginário como lendas eternas? Não, é claro! Assim como, não o poderemos consentir sob pena de dar azo a que o futebol seja cada vez mais um desporto físico e impetuoso. Mas beneficiando da actual impunidade das equipas de arbitragem, vamos poder continuar a assistir à sequela do já conhecido filme “ Caceteiros III”, a cada final de semana num relvado perto de si…eles sabem do que estou a falar!

16 março 2009

Jesualdo, um campeão a caminho do desemprego?

Quando ainda se jogam vários dos objectivos desta temporada e com os azuis e brancos a manterem aspirações à vitória nas três frentes em que estão ainda envolvidos, antecipadamente e como sempre, já se começa a jogar nos bastidores muito do planeamento da próxima temporada. A passagem aos quartos de final da Liga dos Campeões, com os inevitáveis dividendos desportivos e económicos decorrentes, teve o mérito de atrair ainda mais a atenção dos “tubarões” europeus para os melhores jogadores da equipa portista. Não será portanto de espantar se no final desta época, o plantel veja partir os seus activos mais valiosos. Precavendo esta situação, a administração aponta já baterias para a definição do plantel que atacará a próxima época. Miguel Lopes e Varela já estão confirmados, mas notícias recentes apontam Eliseu, Beto e Rúben Micael como negócios praticamente certos. Parece começar assim, a ganhar forma o próximo plantel, apesar da definição do técnico que irá liderar a equipa deixe ainda vários pontos de interrogação que nem a passagem da eliminatória da Champions ajudou a esclarecer. Jesualdo Ferreira sempre vai afirmando que se mantém tranquilo e focado nos objectivos. Mas poderá estar verdadeiramente tranquilo quando as contratações que vão sendo anunciadas na imprensa representam uma alteração de rumo face à política de reforços que seguiu desde que assumiu o comando técnico dos Dragões?Todos os esforços apontam para jovens nacionais, com margem de progressão e com experiência de campeonato nacional. Uma clara contradição com a política de contratações assumida pelo técnico, já que pelas suas mãos chegaram ao Dragão 21 jogadores estrangeiros num total de 24, num investimento a rondar os 40 milhões de euros. E prendem-se nestes pontos as reticências da administração e dos adeptos, para os quais aliás nunca foi um treinador consensual, em renovar com o técnico. Mas não será este o prenúncio de que os tempos de Jesualdo no Porto terminam no final desta temporada? É que aliado ao enorme investimento efectuado no extenso mercado sul-americano sem resultados aparentes, preferencialmente o argentino que época após época foi engrossando o plantel, o técnico negligenciou por completo a aposta assumida da administração em jogadores formados no clube e não rentabilizou jogadores com os quais o Porto tem ainda contrato, como Ibson ou Pitbull. Pior, engrossou o lote de jogadores emprestados, sem que daí tenha resultado aproveitamento desportivo e consequentemente dividendos económicos para a SAD desses jogadores. E já se sabe o quanto é importante a rentabilização de jogadores para a sanidade das contas da SAD. Apesar do discurso coerente e sempre ambicioso do técnico, não é pacífica entre os adeptos a contenção defensiva com que enfrenta as partidas com os eternos rivais de Lisboa. Jesualdo Ferreira tem somado desilusões em jogos com os rivais e as competições a eliminar têm ditado alguns amargos de boca aos adeptos, como as derrotas com o Atlético para a Taça de Portugal e mais recentemente com o Sporting para a Taça da Liga. As recordações das últimas edições da Supertaça também não serão as melhores. No Porto ganhar é um hábito adquirido e uma exigência permanente dos adeptos e administração, nas palavras do técnico “é como lavar os dentes”. Pelo que, a conquista do título de Campeão Nacional não representa por si só a garantia de permanência no cargo. Jesualdo Ferreira pode ter mesmo o lugar em perigo! Mas sempre que penso nesta matéria, imediatamente me ocorre quem o poderá substituir?Jorge Jesus, que tem demonstrado em Braga todo o potencial que se lhe adivinhava depois das brilhantes campanhas em Belém? Uma aposta de risco como Jorge Costa, que tem entusiasmado em Olhão, onde parece capaz de devolver o Olhanense à elite do futebol nacional? Um técnico estrangeiro, que seria uma solução não menos arriscada se tivermos em conta as desilusões recentes que foram Co Adriannse, Víctor Fernandez e Luigi Del Neri? São poucos os treinadores capazes de neste momento de assumir o comando técnico dos Dragões e apontar um será sempre um exercício complicado. Mas, neste momento parece-me óbvio que muito do futuro de Jesualdo Ferreira no FC Porto passará pelos resultados desportivos que a equipa conseguir até ao final da época e como os objectivos que se avizinham são exigentes, exigem-se-lhe dias de glória.

12 janeiro 2009

Cissokho é reforço! Tengarrinha e Lino saiem...

O lateral-esquerdo francês Cissokho, ex-Vitória de Setúbal, reforçou a defesa azul e branca e esta manhã já marcou presença no treino da equipa no Olival. Depois do divulgado assédio dos Dragões ao jovem lateral sadino, a confirmação surgiu pela boca de Jesualdo Ferreira na conferência de imprensa que antecedeu o Porto vs Trofense. Como é apanágio do clube não houve lugar a apresentação à imprensa, nem foram divulgadas as verbas do negócio, no entanto a imprensa avança para valores da ordem dos 300 mil euros por 60% do passe. O jovem francês chegou aos sadinos a custo zero, depois de ter jogado no modesto Gueugnon da 2ª divisão francesa e cedo se destacou na equipa de Setúbal, agarrando a titularidade e protagonizando algumas boas exibições que despertaram a cobiça de equipas com outras ambições. O salto de uma equipa na 2ª divisão francesa para o campeão português em apenas 6 meses é brutal, e para um jovem estrangeiro pela primeira vez fora do seu país, numa liga desconhecida poderá ser um handicap impeditivo de pegar de estaca numa equipa que luta por objectivos importantes, pese embora a falta gritante que o Porto tem de um jogador com qualidade para a posição. E Cissokho poderá ser a solução? Neste momento, sinceramente não acredito. Poderá certamente cumprir na posição, mas não se espere que ele seja desde já um Bosingwa, ou que não tenha falhas iniciais! Tal como Jesualdo Ferreira indicou, é um jogador ainda em formação e que apesar da sua boa compleição física natural, com pulmão suficiente para aguentar os 90 minutos a fazer incursões pela lateral esquerda, com bom cruzamento e sentido posicional, poderá sentir dificuldades para adaptar o seu jogo às necessidades da equipa. E neste momento, mais do que um lateral ofensivo o Porto precisa de um lateral que cumpra defensivamente e que ataque com precisão, sem deixar espaços nas costas para serem aproveitados pelo ataque contrário.
Já o lateral Lino foi cedido ao Paok de Salónica, equipa treinada por Fernando Santos, desconhecendo-se os moldes do negócio que levou o lateral esquerdo que terminava contrato no final da época. Na calha para ser emprestado está, Tengarrinha. O jovem polivalente, que ocupa as posições de defesa central e médio defensivo, vai ser cedido aos tricolores da Reboleira numa aposta clara no amadurecimento de um jogador jovem a quem se augura um futuro risonho.

Pressão de ser líder...

O Futebol Clube do Porto voltou a empatar no Dragão a zero, num jogo com muitas oportunidades de golo esbanjadas e que lhe valeu a perca da liderança no campeonato. Um jogo de sentido único desde o início da partida, com Lisandro, Hulk, Rodriguez, Lucho e companhia a perderem consecutivas oportunidades de golo, algumas delas clamorosas e outras cortadas em cima da linha de golo, inclusivamente por jogadores do Porto! Mas mais do que esgrimir argumentos para justificar o empate convém retirar ilações deste resultado.
1º O Porto jogou sobre pressão, já que foi o último dos candidatos ao título a entrar em campo e sabia de antemão que os seus perseguidores tinham vencido os seus jogos. A equipa simplesmente não teve o estofo necessário para aguentar apressão . Jogando contra uma equipa que denotou imensas fragilidades defensivas, construíu diversas oportunidades de golo, muitas delas flagrantes à boca da baliza, mas acusou em demasia a pressão de continuar a ser líder. Entrou bem na partida, falhou logo duas boas oportunidades no 1º minuto de jogo e permitiu que depois o Trofense se adaptá-se ao seu esquema táctico e se intrincheirá-se na defesa. Faltou acima de tudo discernimento para levar de vencida um pobre Trofense, que veio ao Dragão claramente para jogar em contra-ataque e defender com os seus homens atrás da linha da bola. Um campeão é-o a ganhar também ás equipas da metade inferior da classificação e como alguém já disse: " É contra as equipas pequenas que se vencem campeonatos". E nesse aspecto a equipa já falhou por diversas vezes esta época.
2º Começa a ser recorrente ver Lisandro e Lucho desperdiçarem golos de finalização fácil, à boca da baliza. Uma vez mais, Lisandro não foi o matador que se sabe ser, desperdiçou e errou em demasia. Será que continua a desesperar por um bom contrato? Lucho passeia literalmente pelo campo, falha quando deve ser o matador a que nos habituou e tem sido um espelho do jogador que encantou as plateias no Dragão. Parece-me claramente propositado e sinceramente há muito que não acredito que esteja na equipa de corpo e alma, teremos um novo caso Quaresma? Quer sair desde o ínicio da temporada e parece só render na Champions! Os dois argentinos estão alheados do jogo e dos objectivos da equipa e isso reflecte-se nos resultados, porque são duas importantes peças do esquema táctico do Porto. Prova disso, são as declarações de Lucho no final da partida que denunciam a displicência com que também encara os jogos: " Há que seguir o nosso trajecto com calma. Temos um grande plantel e no final do ano seremos campeões, por certo." É muita confiança para quem tão pouco demonstra em campo os argumentos que fizeram dele um dos ídolos do Dragão.
3º Jesualdo Ferreira continua a dar pontápés no ar. Depois de cada conferência em que denota uma confiança excessiva na equipa, segue-se sempre um resultado pouco satisfatório. Ficou célebre a frase antes do duelo com o Sporting para a Supertaça: " Ganhar no Porto é como escovar os dentes". Desta vez limitou-se a dizer que:" Há primeira todos caiem, mas há segunda só cai quem quer! " Levando à letra as suas palavras o Porto perdeu a liderança porque quis...A arrogância fica-lhe mal e o Porto tem pagado caro com isso!
4º Os erros da equipa de arbitragem neste jogo custaram ao Porto um pénalti claro sobre o Lisandro, mas estes erros não desculpam a ineficácia do ataque e os sucessivos empates caseiros. Este é o segundo jogo consecutivo no Dragão a empatar e novamente sem golos, o último tinha sido contra o Marítimo. Um novo dado, é que os portistas têm tantos pontos esta época em casa como fora de portas: 14. Apesar de ser normal as equipas se fecharem em bloco no seu meio-campo quando actuam no Dragão, a equipa do Porto tem que ter as armas e as soluções capazes para abrir as defesas contrárias e principalmente, aproveitarem as oportunidades de golo que surjem constantemente. Já aqui deixei expresso por diversas vezes, o meio-campo do Porto não funciona quando tem a responsabilidade de abrir as defesas, falta-lhe a criatividade e a imaginação de ver os espaços onde eles ainda não existem, a equipa precisa de um típico 10. Até porque, em todas as épocas as equipas "metem no autocarro em frente da baliza" e nem por isso o Porto deixou de ganhar os seus jogos. Estou certo, que na partida de ontem bastaria uma única oportunidade ao ataque do Trofense para desfeitear Heltón. A não esquecer que, a última vez que o Porto desperdiçou tantos pontos em casa, perdeu o campeonato!
5º Onde está o corrosivo Pinto da Costa? Alguém o viu? É preciso que, aliás como sempre fez e bem, se sirva da comunicação social para lançar os seus já conhecidos e corrosivos ataques às arbitragem avermelhadas, principalmente nesta fase em que a pressão benfiquista sobre os árbitros vai dando frutos e pontos importantes. O SC Braga só terá sucesso nas suas pretensões de expôr a nú a tendenciosa arbitragem da partida no Estádio da Luz, se tiver apoio do Porto nesta altura. Todos têm reclamado o seu quinhão de fortuna perante os árbitros e o Porto vê com complacência todo o burburinho que se levanta, com prejuízo para o clube na maioria dos casos!
6ºA equipa voltou a falhar num momento decisivo da época, numa altura em que tinha todas as armas para poder vir a distanciar-se em breve da concorrência. Fevereiro vai ser um mês terrível com jogos para a Champions e verdadeiras finais no campeonato com Benfica e Sporting. O próximo embate para a Liga tem lugar em Braga, contra uma equipa ferida no orgulho e a necessitar de pontos para se aproximar do trio da frente. A ver vamos, até quando se vai manter a displicência no Dragão, até porque: "vale mais um passarinho na mão do que dois a voar" e o Porto tem que agarrar a liderança de vez e descolar para celebrar o campeonato em Maio.

05 janeiro 2009

Cattenacio à portuguesa...

A Liga Sagres, é das Ligas competitivas europeias a que regista até ao momento, a pior média de golos por jogo ( 2,17 ). Esta situação para além de preocupante deve levar-nos a considerar várias reflexões para tão fraco pecúlio. Serão os avançados os maiores culpados neste capítulo de mau aproveitamento em frente às balizas adversárias? Serão os defesas e guarda-redes os grandes responsáveis pela ineficácia dos adversários? Estamos a priveligiar mais o trabalho defensivo em detrimento das manobras ofensivas da equipa? Será a busca do resultado valorizada em demasia pelos treinadores da Liga em oposição ao futebol positivo, atrante, ofensivo e que atrai as multidões ao estádio?Está-se a evoluir para um sistema de "cattenacio" na Liga Sagres? Penso que a resposta poderá resultar um pouco da consideração de todas as perguntas mas a maior fatia de culpa deve ser atribuída aos técnicos e direcções! Desde avançados limitados na finalização de jogadas de golo à construção de modelos de jogo defensivos, tudo explica o fraco pecúlio de golos na Liga Sagres.
Já em várias ocasiões se lamentou a falta de intérpretes de qualidade na Liga, com capacidade técnica, disponibilidade mental e física para desenvolver um futebol atraente, objectivo, eficaz e que materialize em golos o bom jogo ofensivo das equipas, talvez essa não seja propriamente a realidade nesta temporada, pelo menos não em plantéis que se reforçaram com jogadores de qualidade para a linha avançada, mas ainda assim marcam-se poucos golos! O FC Porto tem Lisandro ( goleador-mor do último campeonato) Hulk e Rodriguez; o Benfica reforçou-se com Reyes, Suazo e Aimar e tem ainda Cardozo e Nuno Gomes; o Sporting segurou Liedson e dispõe ainda de Derlei, Postiga e Djaló; o Braga acrescentou a Linz, Meyong e Renteria; o Guimarães assegurou Douglas. Wesley ( Leixões ), William ( P. Ferreira, Néne ( Nacional ), Marcelinho ( Naval ), Djalma e Babá ( Maritimo ) completam o rol de bons executantes! O problema parece surgir de equipas como Setúbal, Académica, Trofense, Belenenses, Rio Ave, entre outros, que não dispõem de uma referência atacante e jogam constantemente pressionados pela necessidade de pontos para fugirem à cauda da tabela. Em alguns destes clubes, os melhores marcadores são mesmo defesas, casos do Setúbal ( Anderson do Ó ), Trofense ( Valdomiro ) e Rio Ave ( Gaspar ). A Académica apresenta ainda a curiosidade de nenhum jogador ter repetido a façanha de marcar mais do que um golo, já que dos sete golos (?!? já vamos na 13ª jornada ) marcados pela equipa todos foram apontados por jogadores diferentes. Domingos tem certamente muito a trabalhar para melhorar a qualidade do jogo ofensivo dos estudantes, ele que foi um ponta de lança com muitos golos no currículo. No sentido inverso às linhas atacantes, as defesas têm estado imperiais! É um facto que a fraca produção dos avançados está directamente ligada à qualidade defensiva dos adversários, quer pela utilização de esquemas tácticos que priveligiam o povoamento da defesa com muitos homens, dificultando e muito o trabalho dos avançados, quer pela qualidade de alguns bons defesas e guarda-redes a actuar na Liga Portuguesa. O privilégio dado para a consistência defensiva por parte da grande maioria dos treinadores da Liga, retira espaço para que os verdadeiros "artistas da bola" possam aparecer em jogo. Os esquemas tácticos rígidos, não esquecer que a grande maioria dos técnicos utliza o 4x4x2, não permitem liberdade criativa quer nas alas, quer no centro do terreno. Actualmente um ala que arrisque nas jogadas de um para um é de pronto assobiado pelos próprios adeptos, que deveriam aplaudir esse tipo de iniciativas. Casos como o do Quaresma na temporada passada e actualmente com Rodriguez e Hulk, mas também com César Peixoto no Braga, são severamente punidos pela critíca e adeptos. Porque arriscam no um para um e perdem a bola? Porque carregam a equipa para o ataque e o passe nem sempre sai bem? Porque tentam pormenores deliciosos e perde-se uma boa jogada de ataque? Mas todos se levantam das cadeiras para aplaudir e consideram por bem empregue o dinheiro do bilhete de jogo se puderem ver ao vivo golos como os do Hulk e Rodriguez, em pormenores fantásticos que deram em belíssimos golos muito recentemente. São estes mesmos golos, o sal que falta ao nosso futebol. Golos que nasçam da capacidade técnica, da criatividade mas também da capacidade de assumir o risco, empolgam os adeptos a quererem saltar do sofá e a assistirem no estádio a momentos de pura magia. São precisamente esses mesmos momentos de puro espectáculo que os técnicos procuram "tolher" com sistemas tácticos rígidos e com a equipa a jogar mais para não perder do que propriamente para ganhar, o que na maior parte das vezes resulta em fracos espectáculos de futebol e bancadas vazias. Repare-se na excelente campanha do Vitória de Setúbal na temporada anterior, que pelas mãos de Carlos Carvalhal adoptou um sistema táctico em 4x3x3, que não deixando de privilegiar a consistência defensiva, jogava um futebol atraente e de belo efeito, atraía público às bancadas do estádio do Bonfim, batia o pé aos grandes e almejou conquistar a Taça da Liga e a classificação para a Taça Uefa numa situação gravosa de ordenados em atraso. Em contraste, Daúto Fáquirá, com a generalidade dos mesmos jogadores do plantel, esta época adoptou o 4x4x2 para melhor povoar o meio-campo e a defesa, em detrimento da capacidade ofensiva da equipa. Resultado? Vitória de Setúbal com o pior ataque da Liga Sagres em parceria com a Académica, antepenúltimo da Liga, já arredado da Taça de Portugal, bancadas vazias mesmo contra os "grandes" e com bilhetes a preços de saldo, forte contestação ao técnico... Não são só os jogadores que devem querer assumir o risco, até porque eles são os mais penalizados pelos técnicos que os arredam da equipa. Devem ser os técnicos e as administrações a assumir a vontade de ter uma equipa a jogar sempre para ganhar em qualquer campo e estádio e não para perder por poucos como a generalidade das equipas nacionais. Os responsáveis em vez de se lamentarem com a falta de adeptos, devem querer atraí-los, oferecendo bons espectáculos de futebol a preços condizentes com a nossa capacidade económica, até porque quem ainda faz mexer a indústria do futebol são os adeptos. Seria preferível ter um estádio repleto com bilhetes a 5 e 10 euros do que um estádio vazio com bilhetes a 20, 30 e 40 euros. Jogue-se mais e trabalhe-se melhor para os adeptos!

26 dezembro 2008

Mercado a ferver...

O mercado de transferências vai reabrir já a partir do dia 1 de Janeiro e o Futebol Clube do Porto vai provavelmente atacar o mercado! As lacunas no plantel há muito que estão identificadas, os alvos que correspondam com critério de qualidade/preço esses é que escasseiam! O investimento financeiro efectuado no Verão na composição de um plantel competitivo e capaz de lutar em todas as frentes, aliado a um clima de crise económica global, não deixa espaço para grandes investidas no mercado mas em contrapartida os activos no plantel a desesperarem por uma oportunidade de sair são muitos e alguns deles devem ser já transacionados no mercado de Janeiro. Os azuis ocupam actualmente a 2ª posição no campeonato e a esse facto não deve ser alheio algumas disparidades qualitativas face a certas posições do terreno, sendo que a posição de lateral esquerdo é a que necessita urgentemente de uma solução de qualidade que resolva de vez o vazio deixado pela saída de Nuno Valente há já três épocas. Igualmente a necessitar de retoques está o meio campo e a extrema direita. Com Lucho González em claro sub-rendimento, desmotivado e com pouca influência no jogo dos dragões e com Tarik e Mariano como alternativas claramente carentes de qualidade, o plantel necessita de um médio cerebral, capaz de construir e definir o jogo a partir do meio campo, que concentre em si a missão de organização do futebol azul e branco e de um extremo direito que imprima velocidade aos flancos, que rasgue pelas alas para abrir espaços no miolo do terreno, capaz de cruzar e finalizar com qualidade, numa aposta clara na homologação do 4x3x3 como sistema de jogo preferencial da equipa. Os rumores que todos os dias fazem capa dos jornais desportivos, indicam que Cissokho do Vitória de Setúbal deve ser o escolhido para ocupar o lado esquerdo da defesa mas a contratação de Miguel Lopes estará igualmente em análise, com o propósito de ser Fucile a assumir definitivamente funções na lateral esquerda. Algo que deverá ficar definido nos primeiros dias de Janeiro, pois certamente que os responsáveis azuis e brancos não deixarão arrastar por muito tempo este dossier. O meio campo não será provavelmente revisto. Pese embora o sub-rendimento de Lucho, existe a confiança da equipa técnica nas suas capacidades e elementos como Tomás Costa e Guarín podem ocupar essa posição, até porque o esquema táctico definido por Jesualdo Ferreira não contempla a existência de um elemento criativo no centro do terreno, como facilmente se interpreta pelas dispensas de Ibson e Leandro Lima. Já para a extrema direita do ataque e apesar de existirem três alternativas não parece que hajam soluções no plantel, uma vez que Tarik e Mariano estão longe de corresponderem aos predicados qualitativos de um jogador de topo e Candeias é um jovem a ganhar experiência no plantel. Mas para esta posição, o Porto tem actualmente jovens como Bruno Gama e mesmo Hélder Barbosa que poderão ser destacados para servir o clube já a partir de Janeiro, aumentando o leque de opções para as alas do ataque. Parece certo é que Tarik deva ser transferido já nesta abertura de mercado, até porque termina contrato brevemente. Com o rótulo de transferíveis encontram-se ainda Stepanov, Benitez, Lino, Bolatti e Farías, sendo que a saída de um deles implicará sempre a entrada de um elemento no plantel. Milan Stepanov chegou para fazer esquecer Pepe mas nunca conseguiu encontrar o seu espaço, menos ainda depois da desastrada exibição em Liverpool na temporada transacta, existem entretanto indicações que o Braga está interessado em recebê-lo por empréstimo. Abrindo-se a vaga de Stepanov no centro da defesa, especula-se que seja Gabriel Mercado do Racing ou Nuno André Coelho, actualmente a protagonizar uma excelente temporada por empréstimo no Estrela da Amadora, a ocupa-la. Lino e Benitez são transferíveis pois não conseguiram preencher a lacuna na ala esquerda da defesa e revelaram-se decisões muito pouco acertadas, diria mesmo que Benitez foi provavelmente uma decisão claramente errada pela pouca qualidade que revelou a atacar e a defender. Os rumores de mercado indicam que o Paok de Fernando Santos e o Herta de Berlim estão interessados na transferência de Lino já em Janeiro. Bolatti e Farias nunca se conseguiram impôr, chegaram rotulados de bons jogadores do campeonato argentino, mas Bolatti tapado por Paulo Assunção primeiro e Fernando depois não se conseguiu mostrar. Ernesto Farías com Lisandro a monopolizar a vaga na frente de ataque ficou sem tempo útil de jogo para mostrar serviço apesar dos quatro golos já apontados esta temporada. São ambos jogadores com muito mercado na Argentina e o Independiente estará muito interessado em receber Bolatti para jogar a Taça dos Libertadores. O FC Porto luta em quatro competições actualmente, sendo que apenas na Liga dos Campeões o sucesso deve passar pela passagem aos quartos de final, já que nas provas nacionais é favorito na luta pelo título de Campeão Nacional, Taça de Portugal e Taça da Liga. São quatro objectivos, o plantel para os atacar precisa de retoques de qualidade que o tornem mais harmonioso e homogéneo e o mercado de Janeiro pode ser parte do sucesso ou insucesso do resto da época. Prevê-se um Porto activo no mercado!

Época de avaliações...

A época natalícia é proprícia a prendas mas também a avaliações, e o futebol não podia fugir à regra. Quando a grande maioria dos campeonatos europeus ainda nem vai a meio, abre-se uma nova janela de oportunidades para clubes, jogadores e direcções redifinirem as suas metas para o que resta da temporada, depois de um período inicial de avaliação. Este é um período de várias análises: os clubes avaliam a prestação da equipa nas várias frentes em que está envolvida, depois de estabelecidos os objectivos no ínicio do campeonato; os treinadores avaliam o plantel de que dispõem e observam claramente as lacunas que a competição pôs a nu; jogadores menos utilizados procuram a sorte e minutos de competição em outras paragens e jogadores que se evidenciaram vêem neste mercado uma oportunidade de transferência para clubes de maior dimensão. No meio de todos estes pressupostos, circulam os empresários de futebol. São eles que dão corpo aos desejos dos jogadores; quem irrita as administrações com declarações e rumores estampados nas capas dos jornais; são eles que muitas vezes definham por esse mundo fora na procura de novos valores; são eles que estabelecem os timings, para o bem e para o mal, das carreiras dos jogadores que representam; são eles que não raras vezes decidem o sucesso da carreira de um jogador, da equipa e mesmo do orçamento das administrações; são eles quem ainda conseguem vender jogadores por DVD. Não é por isso de estranhar que o Miguel Veloso surja todos os dias associado a rumores de transferências, que o Real Madrid já?!? tenha oferecido 21 milhões de euros pelo Di Maria ou mesmo que o Cissokho e o Miguel Lopes surjam associados ao Porto para suprir as lacunas nas laterais. Até final de Janeiro, muitos cenários serão construídos através das páginas de jornais: muitos jogadores sairão e entrarão nos clubes, pais e empresários irão dar largas à insatisfação dos seus protegidos, jogadores aceitam e rejeitam renovar pelo clube. Nem tudo será verdade assim como nem tudo poderá ser verdadeiramente mentira. É a lei da oferta e da procura, do marketing associado a um produto! E o futebol é uma máquina de marketing com muitos produtos expostos para transaccionar...

22 dezembro 2008

Um Natal sem prenda...

Este Natal vou ficar sem prenda, é assim sem mais nem menos! E tudo porque o Porto empatou com o Maritimo e não vai conseguir chegar ao Natal no primeiro lugar. Já fazia as contas na minha cabeça: o Porto ganha, o Néné entrega o perú para a consoada do Moreira e pimba! Porto na frente do campeonato e consoada normal lá em casa: eu a perguntar com um sorriso cínico aos meus tios como vai o Benfica?! Vai ser um Natal diferente este ano, mais triste para mim, mas apesar de tudo vai haver gente feliz há mesa! E é neste ponto que eu embirro, queria ser egoísta, esta prenda era para mim e eu já a tinha pedido! Espera lá...já percebi tudo! Os vermelhos há 15 anos que andam a pedir esta prenda pelo Natal e cansados de esperar, não foram de modas! Ofereceram um GPS com as coordenadas trocadas ao Pai Natal e assim sabotaram o meu Natal!! Agora percebo porque é que o Luis Filipe Vieira dizia que para ganhar o campeonato era preciso mais do que ganhar no campo, era preciso ter assento nos lugares de decisão! Bandidos, não vos perdoo! Mas mesmo sabendo que não vou ter a minha prenda, vou aproveitar para pedir umas coisitas ao Pinto Natal.
Querido Pinto Natal, para este Natal gostava que o meu Porto começasse a jogar verdadeiramente bom futebol. Sabes, aquele futebol dos tempos do Mourinho? Em que jogavamos inteligentemente ao ataque, sempre para ganhar fosse com que equipa fosse, com um modelo de jogo claro, em que os jogadores sabiam sempre a sua missão dentro do campo e estavam todos comprometidos com os objectivos da equipa! Eu sei que vais dizer que o Jesualdo não é propriamente um Mourinho e que tu também não estás a caminhar para novo e que nestes últimos anos tens feito algumas asneiras. Mas caramba, quem foi que te convenceu que o Mariano, o Tarik, o Benitez e o Lino são jogadores que servem para o Porto? Ai ai, tu não vens que o Jesualdo é vermelho? Eu sei que a crise económica também chegou ao futebol e vais apertar o cinto ao Jesualdo por isso queria pedir-te outra coisa! Para o próximo ano vende alguns jogadores: o Lucho anda claramente desmotivado, é um espelho do jogador que já foi, nem um passe curto consegue mais fazer e o Jesualdo só para me irritar, pactua com as manobras evasivas do " El comandante" e deixa-o a jogar sempre, tal como fez o ano passado com o Quaresma. Já reparaste que o Lucho só marca golos e joga bem na Liga dos Campeões?! O Mariano, o Lino, o Bolatti, o Tarik, o Stepanov e o Farías deixa-os serem felizes noutro clube, enche os cofres de dólares e euros e contrata alguns jogadores, mas bons e por favor, tenta que sejam portugueses! É que já não há pachorra para tanto argentino! Olha o Antunes, tá a ficar um homem! E aquele jeitoso que joga no Rio Ave, sim o Miguel Lopes! Emprestamos o Nuno Coelho ao Estrela mas se calhar está na hora de ele voltar a casa, não se vá ele perder no caminho!Para o meio-campo estás bem servido não estás?Ainda assim manda vir o Ibson que o rapaz merece!Lembraste do Andersson? Ganhaste tanto dinheiro com ele! No Brasil há mais desses e bem precisamos de um organizador de jogo! Para as alas os miúdos hão-de servir: tens o Hélder Barbosa, o Bruno Gama, o Vieirinha e o Diogo Viana que mandaram de Lisboa para formatarmos com o chip de campeão, com o Rodriguez no plantel há-de chegar! Para o ataque é mais dificil? Em Portugal há poucos de qualidade e no estrangeiro são muito caros? Trocas o Farias ou o Renteria e dás mais uns trocos pelo Falcão do River Plate ou então viajas para o Brasil e perguntas pelo Dentinho do Corinthias, o Guilherme do Cruzeiro, o Keirrisson do Coritiba ou mesmo o Nilmar do Internacional, é que eles marcam muitos golos e tu costumas regatear bem o preço e ainda tens muita mercadoria para dar em troca. Quanto ao treinador, ele não pode ficar mais tempo Pinto Natal! É que começo a ficar farto de ver o Porto recuar os onze jogadores para trás da linha da bola para depois jogarem em contra ataque, a errarem passes a meio campo, a não terem a capacidade de assumirem o jogo e abrirem espaços na defesa contrária e pior do que isso a discutirem uns com os outros no campo. Vê se nos arranjas um novinho, que aposte mais num futebol positivo e ofensivo, com cultura táctica, que tenha ambição e a incuta nos seus jogadores, que se faça temer e respeitar pelos adversários, que leve os adeptos a encher o estádio e a vibrar com a qualidade de jogo da equipa, que aposte nos miúdos da formação e que consiga construir um bom plantel mas ainda assim poupadinho! Só te quero pedir mais uma coisa, eu juro que é a última. Para o ano queria pedir as prendas ao Baía Natal, tu não te importas pois não?