05 dezembro 2008

O erro de Vitor Baía

Vitor Baía em declarações no último colóquio do Clube dos Pensadores dedicado ao futebol, teceu considerações sobre o trabalho dos clubes na formação de jovens talentos que podem servir de indicadores das situações em que o aproveitamento das camadas jovens se efectiva no futebol português. Neste caso em particular, dirigia-se à plateia para comentar o sucesso das camadas jovens leoninas na prospecção e formação de jovens talentos, e referiu que: «A formação do Sporting é realmente competente, mas nasceu em virtude do clube falhar em muitas contratações, é resultado de uma gestão menos acertada». E é neste ponto principal que reside o erro de Vitor Baía e em parte do futebol português, porque actualmente também ele assume responsabilidades directivas num clube que tem contratado nestas últimas épocas jogadores em grande quantidade mas sem que a respectiva qualidade se reflicta em dividendos para um clube com as ambições do FC Porto. É alarmante que se entenda que as camadas jovens apenas servem o clube quando as administrações já alienaram todo o património e já não lhes restam milhões para "brincar aos empresários" de futebol, o que me faz temer que todo o investimento que tem sido efectuado nas escolas de formação portistas não irá gerar mais do que talentos que vão continuar a esbarrar na prepotência das equipas técnicas do plantel principal. Em grandes campeonatos europeus e em equipas de topo mundial como o Barcelona, Arsenal e Manchester é comum ver jogadores jovens saídos dos escalões de formação serem lançados com idade de "teenagers" e nem sempre por dificuldades económicas.
O Vitor Baía é também ele produto de uma aposta de emancipação na equipa principal, tornou-se um símbolo do clube e uma referência para as camadas jovens do clube e apesar de não assumir funções directivas na equipa técnica responsável pelo futebol deve fazer uma reflexão antes de afirmar que: «É alarmante ver que as equipas grandes estão a esquecer o jogador português», precisamente porque o Porto actualmente é das equipas da Liga Sagres que mais estrangeiros apresenta no plantel e que menos jogadores aproveita das camadas jovens. O empréstimo dos jovens do clube a outros clubes da Liga Sagres não gera aproveitamento imediato para a equipa e o projecto que permite que por época sejam integrados 3 jogadores saídos dos júniores no plantel principal não tem tido efeitos práticos, uma vez que se limitam a treinar com o plantel e raramente são utilizados como solução no onze de Jesualdo Ferreira. Merece reflexão o facto de na equipa principal portista apenas actuar Bruno Alves como elemento originário das camadas jovens do clube, para que mais tarde não seja o Porto a pagar pelos seus erros sucessivos nas contratações.

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