13 julho 2008

Que futuro na formação?

Segundo um estudo do Observatório de Jogadores de Futebol Profissional a equipa do Porto foi apenas a 29ª de entre as 32 que disputaram a fase final da Champions League na temporada anterior, que mais jogadores aproveitou dos escalões de formação, com uma percentagem de 3,3% do plantel, só superando o Inter de Milão, o Olympiakos e Fenerbahce. Ora este estudo comprova o que já ninguém duvida e só os mais distraídos não repararam, o FC Porto não aposta nos jogadores formados no clube. Apesar do investimento em projectos como o Dragon Force, da pompa com que se anunciam métodos inovadores e treinadores conceituados, do elevado número de internacionais jovens, dos títulos nacionais nos escalões de formação e da indesmentível qualidade dos jovens formados no clube, é comum a aceitação pela quase unanimidade dos adeptos na continuidade da aposta da direcção e equipe técnica em jogadores oriundos de outras paragens, desde que os festejos do título de Campeão continuem invariavelmente a quedar-se pela Alameda do Dragão. Pois se a aposta é para manter, e o exemplo desta temporada indica que sim, fechem-se definitivamente os portões das escolinhas e escalões de formação que só geram despesa e nenhum proveito, isto no entendimento da administração.
Está-se a criar uma verdadeira aversão ao jogador formado no clube, que invariávelmente é emprestado época após época a clubes de menor dimensão com intuito de servirem os interesses subterrâneos do clube, porque essa "mentirinha" de serem emprestados para crescerem e voltarem ao clube, comigo já não cola. Desde a época finda que se instituiu que seriam incorporados no plantel 2 a 3 jogadores vindos da formação, na temporada anterior essa oportunidade foi proporcionada a Ventura, Castro e Rui Pedro, e esta época calhou em "azar" a Candeias (grande pré-temporada, será que fica?) e Tengarrinha. Este até seria um bom propósito se efectivamente os miúdos tivessem a oportunidade de jogar e serem apostas do treinador, o que se verificou é que estavam no plantel apenas para fazer número e essa culpa pode e deve ser imputada também a Jesualdo Ferreira. O último exemplo é precisamente Hélder Postiga, um dos ícones mais recentes da formação azul e branca que resolveu seguir a sua carreira no Sporting, depois de épocas a fio sem a confiança dos responsáveis portistas. A esta lista chamem-se Hélder Barbosa, Vieirinha, Paulo Machado e Bruno Gama que foram novamente afastados da equipa principal em prol da inclusão de "fenómenos da bola" como Alan, Tarik e mais incrivelmente Mariano, que custou ao clube 3 milhões de euros!?! É incrível a negligência com que se tratam estas questões, a falta de sensibilidade e impaciência que existe para com jovens jogadores que apenas lutam por uma oportunidade no plantel, que exigem apenas confiança nas suas capacidades, que merecem a liberdade para errar e crescer até se afirmarem como verdadeiras apostas para o onze titular. Parece pouco importar se ao serem emprestados vão para clubes que lutam apenas pela manutenção depois de épocas a fio a jogar para ganhar nos escalões de formação; se os treinadores que os recebem os colocam na sua posição de origem ou até mesmo no onze titular; se são ressarcidos dos seus ordenados; se realizam boas exibições, se marcam ou dão a marcar ou até se são chamados à Selecção: no Porto, e principalmente após a abundância de dinheiro resultante da vitória na Liga dos Campeões em 2004, não são bem vindos! E parece ser mesmo uma gritante necessidade de "novo rico" com farta abundância de dinheiro o problema da formação portista!
A solução passará talvez, por enviar os miúdos camuflados para Buenos Aires ou Rio de Janeiro com o nome de Pablo ou Leandrinho, encontrar uma família de um qualquer bairro pobre dos subúrbios e amigos de rua que jurem a pés juntos que com 12 anos já eram verdadeiros fenómenos, arranjar um empresário que faça as incursões necessárias pelos elevadores da Torre das Antas com vídeos e promessas de que são os novos Ronaldinhos e Riquelmes do futebol mundial e um passe avaliado em 2 ou 3 milhões de euros por 50% do passe, talvez dessa forma, os dirigentes do Dragão vejam neles as potencialidades que juram ter visto em Lucas Mareque, Renteria, Kazmiersczak ou Leandro Lima, entre muitos outros que todas as épocas chegam ao Dragão cruzando o Atlântico!

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